financiamento de imóveis
Ricardo Cubas

O financiamento de imóveis é uma das principais formas de comprar uma propriedade sem precisar desembolsar todo o valor à vista. Em 2026, as condições dependem da renda familiar, valor e localização do imóvel, capacidade de pagamento, modalidade de crédito, relacionamento com a instituição financeira e possibilidade de utilização do FGTS.

Antes de escolher um imóvel, portanto, o comprador precisa descobrir quanto consegue financiar, qual entrada precisará pagar e qual parcela cabe no orçamento. Essa ordem reduz o risco de escolher uma propriedade incompatível com sua capacidade de crédito.

O cenário também mudou com as regras atualizadas do Minha Casa, Minha Vida. Desde 2026, o programa atende famílias urbanas com renda mensal de até R$ 13 mil, incluindo a modalidade Classe Média. 

Resumo: o que você precisa saber

  • O banco analisa renda, crédito, documentos e capacidade de pagamento.
  • A parcela é definida pelo sistema de amortização e contrato.
  • A entrada depende do imóvel e das condições aprovadas.
  • O FGTS pode reduzir a entrada ou saldo financiado.
  • O prazo pode chegar a 35 anos em determinadas modalidades.
  • O Minha Casa, Minha Vida atende diferentes faixas de renda.
  • O valor da avaliação pode influenciar o financiamento aprovado.
  • Custos adicionais precisam entrar no planejamento financeiro.
  • A aprovação do crédito não substitui a análise do imóvel.
  • Comparar o custo total é mais importante que olhar apenas juros.

 

O que é financiamento de imóveis?

Financiamento imobiliário é uma operação de crédito utilizada para adquirir um imóvel, na qual uma instituição financeira disponibiliza parte dos recursos necessários para a compra e o comprador devolve esse valor ao longo do tempo, acrescido dos encargos previstos no contrato.

Na prática, o comprador normalmente participa da aquisição com recursos próprios, que podem compor a entrada, enquanto o banco financia o restante dentro das condições aprovadas.

A instituição financeira analisa o perfil do comprador e também o imóvel que servirá como garantia. Na Caixa, por exemplo, o processo envolve análise de crédito, avaliação do imóvel e assinatura do contrato após a aprovação. 

A garantia mais comum é a alienação fiduciária. Nesse modelo, o imóvel fica vinculado à operação até a quitação do financiamento.

Por isso, financiar um imóvel não significa apenas conseguir uma parcela mensal. A decisão precisa considerar entrada, juros, prazo, seguros, tarifas, custos de aquisição e capacidade financeira ao longo dos anos.

 

Como funciona o financiamento imobiliário na prática?

O processo pode ser entendido em uma sequência:

  1. O comprador informa sua renda e apresenta documentos.
  2. O banco analisa sua capacidade de pagamento.
  3. É definido um limite aproximado de crédito.
  4. O comprador escolhe um imóvel compatível.
  5. A instituição financeira avalia o imóvel.
  6. O banco aprova as condições da operação.
  7. O contrato é assinado.
  8. O financiamento é registrado.
  9. Os recursos são liberados conforme as regras da operação.

A Caixa informa que a prestação do financiamento habitacional não pode superar 30% da renda familiar bruta em suas condições apresentadas para aquisição de imóvel. Esse percentual, porém, não significa que todo comprador terá automaticamente acesso a um financiamento correspondente a 30% da renda. A análise de crédito considera o conjunto da operação.

 

Quem pode conseguir financiamento imobiliário?

Em termos gerais, pessoas físicas podem solicitar financiamento imobiliário desde que atendam às condições da instituição financeira e apresentem capacidade de pagamento compatível com a operação.

A análise considera fatores como renda comprovada, histórico financeiro, comprometimento de renda, documentos pessoais e características do imóvel.

A composição de renda também pode ampliar a capacidade de financiamento. Na Caixa, por exemplo, a renda pode ser composta independentemente de grau de parentesco, casamento ou união estável, conforme as condições da instituição. 

 

É possível financiar com renda baixa?

Sim. A renda menor não impede automaticamente o financiamento, mas reduz o valor da prestação que pode ser assumida e, consequentemente, pode reduzir o valor de crédito aprovado.

É justamente nesse ponto que programas habitacionais podem fazer diferença.

O Minha Casa, Minha Vida possui condições diferenciadas conforme a renda familiar. Em 2026, as faixas urbanas foram atualizadas para:

  • Faixa 1: até R$ 3.200 mensais.
  • Faixa 2: de R$ 3.200,01 a R$ 5.000.
  • Faixa 3: de R$ 5.000,01 a R$ 9.600.
  • Classe Média: até R$ 13.000.

Os valores foram estabelecidos pela Portaria MCID nº 333, de 30 de março de 2026. 

 

Como calcular quanto posso financiar?

A pergunta mais importante antes de procurar um imóvel é: qual valor de propriedade é compatível com minha renda e com o dinheiro que tenho disponível para a entrada?

A resposta depende da análise da instituição financeira. Não existe uma fórmula única que determine o crédito de todos os compradores.

Um dos parâmetros utilizados é o comprometimento da renda com a prestação. Na Caixa, a referência apresentada para financiamento habitacional é de até 30% da renda familiar bruta. 

 

Exemplo de capacidade de parcela

Imagine uma família com renda bruta mensal de R$ 8.000.

Considerando apenas a referência de 30%, o limite correspondente seria:

R$ 8.000 × 30% = R$ 2.400

Isso não significa que a família necessariamente receberá uma aprovação com parcela de R$ 2.400. O banco ainda avaliará o perfil de crédito, outras obrigações financeiras, prazo, taxa, sistema de amortização, idade dos compradores e características da operação.

Por isso, simular antes de escolher o imóvel é uma das etapas mais importantes da compra.

 

Renda maior significa financiamento maior?

Em regra, maior renda comprovada aumenta a capacidade potencial de assumir uma prestação maior. Porém, renda não é o único critério.

Uma pessoa com renda elevada e alto comprometimento financeiro pode ter capacidade de crédito menor que outra pessoa com renda inferior e poucas obrigações. A análise precisa considerar o orçamento completo.

 

Qual entrada é necessária para financiar um imóvel?

Não existe uma entrada universal aplicável a todos os financiamentos. O valor depende das condições da instituição financeira, do imóvel, da avaliação, da modalidade de crédito e do perfil do comprador.

Além disso, existe uma diferença importante entre preço de compra e valor de avaliação do imóvel.

Imagine um imóvel negociado por R$ 500 mil. Se a avaliação realizada pelo banco apresentar um valor diferente, o montante efetivamente financiável poderá ser impactado pelas regras da instituição.

Por isso, o comprador não deve considerar apenas o preço anunciado.

 

Posso usar o FGTS na entrada?

Sim, desde que o comprador cumpra os requisitos estabelecidos para utilização do FGTS na moradia própria.

Entre as condições estão ter pelo menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS, consecutivos ou não, não possuir financiamento ativo no SFH e não possuir determinados imóveis residenciais nas localidades que geram impedimento. 

O imóvel também precisa atender aos requisitos aplicáveis. Para utilização do FGTS na aquisição, o valor de avaliação não pode ultrapassar R$ 1,5 milhão no âmbito do SFH. 

Portanto, o FGTS pode ser uma ferramenta importante para reduzir o dinheiro necessário no início da compra, mas sua utilização precisa ser validada conforme as regras vigentes.

 

Quais são as taxas de financiamento de imóveis em 2026?

As taxas variam conforme a modalidade, instituição, perfil do cliente e condições do contrato.

Dados oficiais do Banco Central mostram, por exemplo, que em julho de 2026 as taxas anuais das operações imobiliárias com taxas de mercado e referência na TR variavam entre as instituições financeiras. Naquele período, as taxas divulgadas para essa modalidade iam de 8,59% a 18,91% ao ano entre as instituições listadas. 

Nas operações com taxas reguladas e pós-fixadas pela TR, o Banco Central registrava, no mesmo período, taxas nominais que variavam conforme a instituição, com a Caixa em 8,09% ao ano nessa modalidade. 

Esses números mostram por que comparar financiamento apenas pela parcela inicial pode levar a uma decisão equivocada.

 

Juros menores sempre significam financiamento melhor?

Não necessariamente. O comprador precisa avaliar o custo da operação como um todo. Prazo, seguros, tarifas, sistema de amortização, indexador e demais encargos influenciam o valor efetivamente pago.

O Banco Central orienta que as prestações dependem das condições contratuais e do sistema de amortização escolhido, como SAC ou Price.

O ideal é comparar propostas equivalentes e observar o custo total da operação.

 

SAC ou Price: qual sistema de amortização escolher?

SAC e Price são sistemas utilizados para calcular a evolução das parcelas e da amortização do financiamento.

No SAC, a amortização do principal é constante. Como o saldo devedor diminui ao longo do tempo, os juros tendem a cair, fazendo com que as parcelas sejam decrescentes, considerando os componentes correspondentes do contrato.

Na Price, a prestação de amortização e juros segue uma estrutura de parcelas calculadas de forma diferente, normalmente com valor mais uniforme ao longo do período, embora outros encargos possam fazer a prestação efetivamente paga variar.

O Banco Central confirma que o cálculo das prestações depende do sistema escolhido e das condições estabelecidas no contrato.

 

Qual sistema pesa menos no orçamento?

Isso depende do objetivo financeiro. O SAC tende a começar com parcelas maiores e reduzir a amortização de juros ao longo do tempo. A Price pode apresentar uma estrutura inicial de parcelas mais uniforme.

A escolha precisa considerar capacidade de pagamento atual, estabilidade da renda e custo total, e não apenas o valor da primeira prestação.

 

Quais documentos são necessários para financiar um imóvel?

A documentação varia conforme a instituição e a operação, mas o comprador normalmente precisa apresentar documentos pessoais e comprovação financeira.

A Caixa lista entre os documentos básicos documento oficial de identificação, CPF, comprovante de renda, comprovante de residência e comprovante de estado civil. Para utilização do FGTS, podem ser solicitados carteira de trabalho, extrato do FGTS e documentos relacionados à declaração de imposto de renda. 

 

E os documentos do imóvel?

O imóvel também passa por análise documental.

Entre os documentos que podem ser solicitados está a certidão de inteiro teor da matrícula. A instituição pode solicitar documentos adicionais para avaliação e liberação do crédito. 

Essa etapa demonstra por que financiamento imobiliário não é apenas uma análise da renda do comprador.

O comprador precisa estar aprovado e o imóvel precisa estar apto à operação.

Para quem está procurando imóvel em Santa Catarina, a Torresul Imobiliária atua justamente na orientação da escolha do imóvel considerando as características da compra e o perfil financeiro do comprador.

Se você está avaliando um imóvel para financiar, faça primeiro a análise da sua capacidade de compra e depois compare as opções que realmente se enquadram no seu orçamento.

 

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Quanto tempo demora para financiar um imóvel?

Não existe um prazo único para todo financiamento.

A duração depende da documentação apresentada, análise de crédito, avaliação do imóvel, regularidade documental, instituição financeira e eventuais pendências encontradas durante o processo.

Um processo pode avançar rapidamente quando comprador e imóvel estão com documentação organizada. Por outro lado, uma inconsistência na matrícula ou a necessidade de documentos adicionais pode prolongar as etapas.

 

Quais são as principais etapas?

A sequência costuma envolver:

Simulação → análise de crédito → escolha do imóvel → avaliação → análise documental → aprovação → contrato → registro → liberação.

A Caixa descreve um fluxo semelhante para aquisição de imóvel usado: primeiro ocorre a simulação, depois a análise cadastral, seguida da avaliação do imóvel e assinatura do contrato após aprovação. 

Por isso, o prazo não deve ser tratado como uma promessa fixa. A melhor estratégia é preparar a documentação antes de avançar para a negociação definitiva.

 

Quais custos existem além da parcela?

Esse é um dos pontos que mais afetam o planejamento financeiro de quem compra um imóvel.

O custo da aquisição não é formado somente pela entrada e pelas prestações.

Existem despesas relacionadas à própria contratação do financiamento e à transferência do imóvel. Dependendo da operação, podem existir custos como avaliação, tarifas, seguros, tributos e despesas cartorárias.

O Banco Central informa que podem ser cobradas tarifas relacionadas à avaliação ou reavaliação do imóvel, administração do contrato e análise de proposta de seguro habitacional, dentro dos limites estabelecidos para cada cobrança. 

 

Por que não devo usar todo meu dinheiro na entrada?

Porque a compra pode gerar despesas adicionais depois da assinatura do negócio.

Além disso, manter uma reserva financeira reduz o risco de transformar uma aquisição planejada em um problema de liquidez.

O comprador precisa considerar o custo de aquisição e também o custo de manutenção da propriedade.

Condomínio, IPTU, seguros, manutenção e outras despesas não desaparecem porque o imóvel foi financiado.

 

Minha Casa, Minha Vida pode ser usado no financiamento?

Sim. O Minha Casa, Minha Vida possui modalidades de financiamento habitacional para famílias que atendem aos critérios do programa.

Em 2026, o programa passou a considerar renda familiar urbana de até R$ 13 mil. A modalidade de financiamento com incentivos permite a aquisição de imóveis novos ou usados por famílias enquadradas nas condições do programa. 

A modalidade MCMV Classe Média permite financiar imóveis de até R$ 600 mil para famílias com renda de até R$ 13 mil, com taxa nominal de 10% ao ano e prazo máximo de 420 meses, segundo o Ministério das Cidades. 

 

Quem está na Faixa 3 pode financiar?

Sim. A Faixa 3 contempla famílias urbanas com renda mensal bruta de R$ 5.000,01 a R$ 9.600, conforme as regras atualizadas em 2026. 

A modalidade adequada, entretanto, depende do enquadramento completo da família e das condições do imóvel.

É importante não confundir renda dentro do programa com aprovação automática do financiamento. A instituição financeira ainda precisa realizar a análise de crédito.

 

Como escolher um imóvel antes de financiar?

O erro mais comum é começar pelo imóvel e tentar descobrir depois se o financiamento cabe no orçamento. A ordem mais segura é inversa.

Primeiro, o comprador precisa conhecer sua capacidade financeira. Depois, deve estabelecer uma faixa de preço. Só então deve procurar propriedades dentro desse intervalo.

 

O que analisar antes de fechar?

  1. Valor total: compare o preço do imóvel com imóveis semelhantes da região.
  2. Entrada: confirme quanto realmente estará disponível depois de reservar dinheiro para despesas da compra.
  3. Parcela: avalie se a prestação cabe no orçamento atual e futuro.
  4. Localização: transporte, infraestrutura, serviços e perspectiva de valorização influenciam a decisão.
  5. Documentação: imóvel e vendedor precisam passar pelas verificações necessárias.
  6. Custo de manutenção: condomínio, IPTU e manutenção devem entrar na conta.
  7. Objetivo: morar, investir, preservar patrimônio ou gerar renda são objetivos diferentes.

 

A Torresul Imobiliária entende que uma compra financiada precisa partir da relação entre imóvel, crédito e planejamento financeiro, e não apenas da busca por uma propriedade bonita ou bem localizada.

 

Como aumentar as chances de aprovação do financiamento?

A aprovação não depende de uma única ação. O comprador pode, porém, melhorar a qualidade da preparação antes de solicitar o crédito.

O primeiro passo é organizar a comprovação de renda. Depois, é importante conhecer os próprios compromissos financeiros e evitar assumir novas dívidas antes da análise.

Também é necessário verificar documentos pessoais, estado civil, declarações fiscais e informações relacionadas ao FGTS quando aplicável.

 

O que fazer antes da simulação?

Uma preparação eficiente inclui:

Organizar renda: reúna os comprovantes solicitados pela instituição.

Verificar documentos: mantenha documentos pessoais e fiscais atualizados.

Conhecer suas dívidas: saiba quanto da renda já está comprometido.

Definir a entrada: estabeleça quanto pode ser utilizado sem comprometer sua reserva.

Simular: compare diferentes valores de imóvel, entrada e prazo.

Pesquisar o imóvel: escolha propriedades compatíveis com o crédito disponível.

 

FAQ sobre financiamento de imóveis

1. Posso financiar um imóvel sem ter todo o dinheiro da entrada?

Sim. Essa é justamente uma das finalidades do financiamento imobiliário: permitir que o comprador adquira o imóvel utilizando uma combinação de recursos próprios e crédito.

Entretanto, o banco não necessariamente financiará qualquer percentual desejado pelo comprador. O valor aprovado depende das regras da instituição, do imóvel, da avaliação, da modalidade e da análise de crédito.

O FGTS também pode ajudar compradores que atendem aos requisitos legais. Para utilização na aquisição da moradia própria, é necessário cumprir critérios como ter pelo menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS e atender às regras relacionadas à propriedade de outros imóveis e financiamentos ativos. 

Existem casos onde é possível parcelar a entrada diretamente com a construtora, isso é possível graças à Engenharia Financeira da Torresul Imobiliária. 

2. Quem está com o nome negativado consegue financiar imóvel?

Em geral, restrições cadastrais dificultam a aprovação do crédito porque a instituição financeira realiza uma análise de risco antes de conceder o financiamento.

A aprovação depende da política de crédito do banco e do conjunto de informações financeiras apresentadas pelo solicitante. Por isso, não é correto afirmar que uma pessoa com restrição será automaticamente aprovada ou automaticamente recusada em todas as instituições.

O ponto central é que financiamento imobiliário envolve uma dívida de longo prazo. O banco precisa avaliar a capacidade do comprador de cumprir as obrigações previstas no contrato.

Antes de procurar um imóvel, é recomendável verificar a situação cadastral, organizar as dívidas e entender o comprometimento atual da renda.

Também é importante não confundir simulação com aprovação. A simulação apresenta uma estimativa. A aprovação depende da análise efetiva da instituição financeira.

 

3. Posso usar o FGTS para comprar qualquer imóvel?

Não. O uso do FGTS para aquisição de moradia própria está sujeito a requisitos relacionados tanto ao trabalhador quanto ao imóvel.

Entre os requisitos do trabalhador estão ter pelo menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS, não possuir financiamento imobiliário ativo no SFH e não possuir determinados imóveis residenciais nas localidades que impedem o uso do recurso.

O imóvel também precisa atender às condições estabelecidas. Para aquisição, deve ser residencial urbano e o valor de avaliação não pode ultrapassar R$ 1,5 milhão no âmbito do SFH, conforme as regras apresentadas pelo FGTS. 

O recurso pode ser utilizado em diferentes momentos da operação, conforme as regras aplicáveis, inclusive na aquisição e, em determinadas situações, para amortização ou pagamento de parte das prestações. O FGTS informa que, nessa última modalidade, pode ser utilizado para pagamento de até 80% do valor de 12 prestações. 

 

4. É melhor financiar em prazo curto ou longo?

Depende da capacidade financeira e do objetivo do comprador.

Um prazo mais longo normalmente reduz o valor da prestação mensal, facilitando o enquadramento no orçamento. Em contrapartida, a dívida permanece por mais tempo e o custo financeiro total tende a ser maior.

Um prazo menor aumenta a prestação, mas reduz o período durante o qual incidem os encargos financeiros.

O comprador precisa encontrar um equilíbrio entre parcela confortável e custo total aceitável.

O Banco Central destaca que o cálculo das prestações depende das condições do contrato e do sistema de amortização escolhido. 

Por isso, não existe um prazo universalmente melhor.

Para uma família com renda estável e boa capacidade de pagamento, encurtar o prazo pode fazer sentido. Para outra, preservar liquidez e manter uma parcela mais confortável pode ser uma decisão financeira mais adequada.

A simulação com diferentes prazos permite visualizar essa diferença antes da assinatura.

 

5. Minha Casa, Minha Vida financia imóvel usado?

Sim. A modalidade de financiamento habitacional com incentivos do Minha Casa, Minha Vida permite a aquisição de imóveis novos ou usados por famílias que atendam aos critérios do programa. 

Em 2026, o programa atende famílias urbanas com renda mensal bruta de até R$ 13 mil. As faixas de renda foram atualizadas pela Portaria MCID nº 333/2026. 

A modalidade Classe Média, por exemplo, permite financiar imóveis de até R$ 600 mil para famílias com renda de até R$ 13 mil, com prazo máximo de 420 meses e taxa nominal de 10% ao ano, segundo o Ministério das Cidades. 

Mesmo quando o comprador está dentro da faixa de renda do programa, a contratação não é automática. A instituição financeira ainda precisa analisar o crédito e o imóvel.

Por isso, o enquadramento no MCMV deve ser visto como uma condição de acesso ao programa, e não como garantia de aprovação.

 

6. Posso financiar um imóvel sozinho com renda baixa?

Sim, dependendo do valor do imóvel e das condições da operação.

O principal impacto da renda menor é a capacidade de assumir uma prestação. Como o financiamento precisa respeitar os critérios de capacidade de pagamento da instituição, uma renda menor tende a limitar o valor máximo de crédito.

Nesse cenário, três fatores podem ampliar as possibilidades: aumentar a entrada, escolher um imóvel de menor valor ou compor renda quando permitido pela instituição.

Programas habitacionais também podem oferecer condições diferenciadas. Em 2026, o Minha Casa, Minha Vida contempla famílias urbanas com renda de até R$ 13 mil, distribuídas em faixas conforme a renda familiar. 

A Caixa informa ainda que a composição de renda pode ser realizada independentemente de grau de parentesco, casamento ou união estável, de acordo com suas condições. 

Assim, quem tem renda individual menor não deve concluir que não consegue comprar. Primeiro, deve fazer uma simulação realista.

 

7. O banco pode negar financiamento mesmo depois da simulação?

Sim. Uma simulação não representa necessariamente uma aprovação definitiva de crédito.

A simulação serve para estimar condições de financiamento com base nas informações fornecidas. A aprovação efetiva depende da análise cadastral, financeira e documental realizada pela instituição.

Além do comprador, o imóvel também pode passar por avaliação e análise documental.

A Caixa descreve esse processo indicando que, após a análise do cadastro, são apresentadas condições como valor de financiamento, prestação e prazo. Depois, ocorre a avaliação do imóvel e a assinatura do contrato quando a operação é aprovada. 

Por isso, o comprador deve evitar assumir compromissos financeiros irreversíveis apenas com base em uma simulação inicial.

O caminho mais seguro é obter uma análise de crédito compatível com seu perfil e, paralelamente, selecionar imóveis dentro da faixa de valor que realmente pode ser financiada.

 

8. Vale a pena financiar um imóvel em 2026?

Pode valer a pena, mas a resposta depende da situação financeira e do objetivo do comprador.

As taxas de financiamento variam entre instituições e modalidades. Dados do Banco Central de julho de 2026 mostram diferenças relevantes entre as taxas praticadas no mercado. Além dos juros, é necessário avaliar preço do imóvel, entrada, prazo, custo efetivo da operação, seguros, tarifas e despesas de aquisição.

Para quem precisa comprar e possui renda estável, um financiamento pode transformar a aquisição de um imóvel em um projeto viável sem exigir o pagamento integral à vista.

Para quem ainda não possui reserva suficiente ou assumiria uma parcela muito próxima do limite do orçamento, esperar e aumentar a entrada pode ser financeiramente mais prudente.

A decisão não deve ser tomada com base apenas na pergunta “a taxa está boa?”. A questão correta é: este imóvel, nesta condição de financiamento, cabe no meu planejamento financeiro?

 

9. Posso amortizar o financiamento antes do prazo?

Sim. A amortização antecipada pode reduzir o saldo devedor e alterar a trajetória do financiamento, conforme as regras contratuais.

Uma das vantagens de amortizar é reduzir o período de pagamento ou o valor das prestações, dependendo da modalidade escolhida pela instituição.

O FGTS também pode ser utilizado para amortização quando o comprador atende aos requisitos específicos. O FGTS estabelece condições próprias para essa utilização, incluindo regras sobre o financiamento, imóvel e situação do trabalhador.

Para decidir entre reduzir prazo ou parcela, o comprador precisa analisar sua situação financeira.

Se o objetivo é diminuir o custo financeiro total, reduzir o prazo pode ser uma estratégia relevante. Se a prioridade é aliviar o orçamento mensal, reduzir a prestação pode ter maior utilidade.

O melhor caminho é solicitar ao banco os cenários de amortização e comparar o impacto financeiro de cada alternativa.

 

Referências:

gov.br/cidades/pt-br/composicao/ouvidoria/perguntas-frequentes-2/perguntas-frequentes 

caixa.gov.br/voce/habitacao/financiamento/aquisicao-imovel-usado/Paginas/default.aspx 

caixa.gov.br/voce/habitacao/financiamento/aquisicao-imovel-novo/Paginas/default.aspx 

fgts.gov.br/Paginas/subpaginas/aquisicao_imovel_novo_usado.aspx 

bcb.gov.br/estatisticas/reporttxjuros?codigoModalidade=903201&codigoSegmento=1 

bcb.gov.br/estatisticas/reporttxjuros?codigoModalidade=905201&codigoSegmento=1 

bcb.gov.br/meubc/faqs/p/calculo-das-prestacoes-do-financiamento 

bcb.gov.br/meubc/faqs/p/tarifas-cobradas-em-financiamento-imobiliario 

gov.br/cidades/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/habitacao/programa-minha-casa-minha-vida/minha-casa-minha-vida-classe-media/minha-casa-minha-vida-classe-media-1 

fgts.gov.br/Paginas/subpaginas/amortizacao_liquidacao.aspx 

caixa.gov.br/voce/habitacao/minha-casa-minha-vida/urbana/paginas/default.aspx 

Ricardo Cubas

Especialista em Mercado Imobiliário | Santa Catarina | CRECI/SC 20.259
15 anos de experiência no mercado imobiliário
+ 2 bi em VGV
Palestrante
CEO da Torresul Imobiliária
Gerente de Marketing